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Sergio Palazzo - SAP Service

Onde você encontra o melhor conteúdo em projetos de infraestrutura.

Sergio Palazzo olha para sua direção com um sorriso no rosto. Em posição de se levantar, ele se prepara para uma palestra.

UMA NOVA MANEIRA DE ENXERGAR E EXERCER A PRODUÇÃO EM OBRAS DE INFRA-ESTRUTURA.

Iniciar uma provocação no mercado da construção pesada ou de obras de infra-estruturas parece como me disseram vários companheiros que acompanham esta matéria “um sonho”, ou interpretando seus comentários, “eu seria o sonhador”.  Não há como recuar, não há outra maneira de colocar em discussão um assunto, que pelo menos aparece estatisticamente de forma estarrecedora […]

Iniciar uma provocação no mercado da construção pesada ou de obras de infra-estruturas parece como me disseram vários companheiros que acompanham esta matéria “um sonho”, ou interpretando seus comentários, “eu seria o sonhador”.  Não há como recuar, não há outra maneira de colocar em discussão um assunto, que pelo menos aparece estatisticamente de forma estarrecedora em minha pesquisa: Em todas as obras que visitei e continuo visitando ao longo dos quase 60 anos que me dedico ao setor, uma coisa é mencionada sempre e abertamente – “O planejamento não existe”.

Ao longo das matérias que a editora me permitiu levar ao nosso público leitor tenho procurado sempre destaca a importância do projeto executivo. Da obra que estamos preparando para servir de “experiência prática” onde contratamos a troca de redes de água potável, com um simples esquemático dos quase 2 quilômetros que estão no escopo do mesmo, obtivemos do órgão a autorização para executarmos o projeto executivo, e que se estendeu ao “ projeto do trabalho “ (job design) sobre o qual falaremos na próxima publicação. Preços e condições estão como sempre “sob judice” pois como teriam sido calculados os mesmos? Mas o caso é para isso mesmo, colocarmos em prática e avaliarmos as noções que aqui vimos desenvolvendo.

Muito bem, estamos aplicando os ensinamentos do LAST PLANNER, ou Último Planejador. Nele vamos ao detalhe de cada tarefa para construir um determinado dispositivo da obra, sempre na ordem inversa em que ocorrem, por exemplo, iniciamos pela desmobilização, e a tarefa imediatamente anterior e assim por diante, até chegarmos a mobilização para entrarmos na obra.

A experiência tem sido gratificante pois, com enorme experiência adquirida nos últimos 10 anos nesse tipo de trabalho, estamos a cada etapa descobrindo quanto tempo perdemos em nossas obras passadas, e quanto dinheiro deixamos de economizar ou ganhar. Para exemplificar o que estamos dizendo, a troca de uma rede no sub-solo e por Método Não Destrutivo – MND, requer extensa e detalhada pesquisa do que se encontra sob o pavimento e apesar de todos os recursos que vimos utilizando, através do qualificadíssimo trabalho do Luiz Henrique Schiavim de Araujo da PLANAL, chegamos ao ponto onde a exposição das redes se fez necessária em função da não identificação do que havia em determinados pontos.

A abertura dessas valas de sondagem como costumamos chamar nesse tipo de obra, revelou o tempo, desgaste e perda de materiais e porque não falar, qualidade, que se aglomeram quando o trabalho é feito com a obra em andamento. Materiais que não foram adquiridos, métodos inadequados ou indisponíveis para enfrentar o problema, operários despreparados para as surpresas que aparecem, danos e complicações ao ambiente ou entorno da obra diante das novidades, a falta ou inadequação das máquinas que estão na obra, e as vezes que nem existem disponíveis no mercado para resolver o trabalho, e finalmente, o acumulo de medições para os pleitos que se fará ao fim ou ao longo da obra.

Estimamos poder elaborar o projeto executivo e o “projeto do trabalho” em 90 dias, mas já atingimos 120 dias à altura em que escrevo a matéria, já entramos em ritmo de obra, e uma quantidade enorme de tarefas não previstas, vêm sendo adicionadas diariamente a esse projeto. Materiais não previstos diariamente também são requeridos. Desenvolver fornecedores, obter prazos e tudo que resume uma compra, novamente se transforma em consumidores de tempo e dinheiro. Ao fim do trabalho temos certeza que vamos concluir que tudo isso feito antes, com tempo, e muito menos custo, só se transformará num alimentador de uma produção ordenada, cadenciada, com qualidade a custos muitos menores.

Nos inúmeros trabalhos de Lauri Koskela,  o de 1992 Application of the New Production Philosophy to Construction,  nos remete à reflexão de como os sistemas industriais principalmente da indústria automobilística, cuja Genesis está na industria Japonesa, com o JIT (Just in Time) TQC (Total Quality Control), se aplicariam à construção. Hoje na fase em que me encontro da minha pesquisa (que já tem quatro anos), repito, a constatação dos desperdícios que o “não planejamento e controle da produção” trazem para nossas empresas e obras, só uma palavra pode definir: “ESTARRECEDOR”.

Lauri Koskela, Glenn Ballard e outros do grupo que estudam a produção na construção pesada, nos pouparam de muito trabalho ao longo das últimas duas décadas, tanto que estamos na realidade aplicando, o resultado de seus ensinamentos, queimando inúmeras etapas. Confesso chega a ser emocionante a descoberta de “tanta porcaria” para não usar outra palavra, que fazemos em nossas obras e podem me acreditar, da mais simples como a passagem de um pequeno duto por MND até a construção de uma grande obra como o RodoAnel da cidade de São Paulo, ou uma grande hidrelétrica. O que nos espera agora diante da enorme quantidade de investimentos que serão feitos em Infra-Estrutura? Será que não será melhor ganharmos muito mais dinheiro, do que pouco, quase nenhum ou ter prejuízos?

Essa é a vocação deste trabalho, chamar todos para a avaliação e discussão dessa nova maneira de exercer o Planejamento e Gestão da Produção em obras públicas.