O SALTO DO GOLFINHO, uma visão sobre a situação econômica do país
Embora tivesse estudado numa das melhores Universidades Norte Americanas, desde lá (me formei em 1993), quando olho a macroeconomia não consigo traduzir as expectativas que tão facilmente os economistas o fazem. Logicamente não deixo de levar em conta o porte econômico dos influentes. Uma vez numa grande corporação, empreiteira de obras públicas, chego para uma […]
Embora tivesse estudado numa das melhores Universidades Norte Americanas, desde lá (me formei em 1993), quando olho a macroeconomia não consigo traduzir as expectativas que tão facilmente os economistas o fazem.
Logicamente não deixo de levar em conta o porte econômico dos influentes. Uma vez numa grande corporação, empreiteira de obras públicas, chego para uma reunião que sucedia outra de grande importância. Sozinho na sala a espera dos participantes da minha, me dou de cara uma cópia do documento esquecido por alguém na reunião anterior. Título: AS 1500 PESSOAS MAIS INFLUENTES NO PAÍS.
Entendi rapidamente o teor e escopo da reunião anterior, e pensei: “E eu e minhas empresas?”

Conclui que dado o enorme desnível econômico, eu jamais tomaria conta “do meu destino”, o que de fato se mostrou verdadeiro em 1999 e posteriormente em 2001, no governo Fernando Henrique quando diante da necessidade de promover uma enorme desvalorização do Real, ele titubeia faz uma discreta (sic!) de uns 60 e picos porcento. Mas era pouco, como ele mesmo confessa em seu livro como único arrependimento, não ter ouvido o Gustavo Franco (opinião minha!), e aí sapeca mais uns 100 e picos porcento. Se qualifica na olimpíada dos Presidentes que desvalorizaram a moeda, com mérito, entre janeiro de 1999, e outubro de 2002, em 46 meses, a bagatela de 325% (trezentos e vinte e cinco por cento), ufa, 3,25 vezes.
Nesse dia, pensei nas 1500 pessoas mais importantes do país, sob a vigilância de um número imensamente menor de vigilantes, e pensei: “Esses, poucos, sabiam tudo”. O que fazer com meu diploma da Harvard Business School ? imediatamente, me dei conta de que o PIB variava de acordo com tráfego de caminhões na Rodovia, e passo a controlar a produção de caminhões, mais caminhões mais crescimento, menos caminhões menos crescimento. Simples, não é? Agora avalie o gráfico abaixo:
Nele é possível identificar pelo menos uma verdade: a curva mostra que somos o país do golfinho, um salto, aplausos, e novo mergulho.
SERÁ QUE VEM UM MERGULHO PARA 2022?
O gráfico também mostra uma realidade incrível, com a saída da Ex-Presidente Dilma , mergulhamos num dos mais baixos percentuais de investimentos em relação ao PIB, por volta de 16% (dezesseis porcento) contra os 20% (vinte porcento) do final do período do Ex-Presidente Lula. Me lembro naquele fatídico mês de dezembro ter ouvido do economista Mario de Almeida, que vaticinou: “para recuperarmos os 4% (quatro por cento) precisaríamos de uns 10 (dez) anos”. Me lembro também da reação dos que estavam comigo na reunião, criticando e classificando o Mario como pessimista.

Muito bem, passados 6 (cinco), e, portanto, mais da metade do caminho do Mário de Almeida, já conseguimos chegar em 15,3% (quinze virgula três porcento). Ué, chegar? Bem vamos olhar a produção de caminhões.
O golfinho saltou, e, para não perder o bonde da história, acompanhe a produção de caminhões no site da ANFAVEA de 2022. Veja no gráfico que já temos a produção 2021, o golfinho já saltou, mas cuidado, não bata palmas, e não se anime, pois ele poderá mergulhar novamente como é de se esperar.
Um trabalho de pesquisa, quase escolar, de quem não tem a autoridade para se apresentar como precursor das condições econômicas, e da Harvard, tive que me agarrar a aula do Prof. Shikhar Ghosh, cujo título é: QUEBRE, MAS QUEBRE BEM!
Lógico que com uma posição de cinco milhões de dólares em 2002, a aula mais do que se tornou uma missão. Diz o Professor: “Você pode perder tudo, mas não pode perder as cinco condições abaixo”:
- A sua saúde: Sem ela não vai dar para enfrentar “a bocada”;
- A reputação: Se as pessoas e empresas com as quais você se relaciona, entenderem que você é um malandro, ou um bandido, acabou, não tem espaço para sobrevivência;
- A integridade: Você tem que estar disponível, mantendo sua família coesa, com endereço conhecido, atender o celular e o fixo, e os oficiais de justiça…
- O relacionamento: Se você não puder conversar à vontade com as mesmas pessoas que te apoiaram, sabe aquela coisa quando você liga: “Diz que não estou”, também não vai dar, você precisa do grupo do seu network.
- A liberdade: Aqui o Professor, é enfático: “Falo de liberdade mesmo, não pode ir para a cadeia, pois de lá não tem como lutar pela sua sobrevivência”.
A China, o Brasil e Taiwan, em 1980 exportavam cada um, 20 bilhões de dólares por ano. Passados 40 anos, a China exporta 4,5 trilhões de dólares, Taiwan 750 bilhões de dólares e o Brasil 225 bilhões de dólares. Isto deixa claro depois de 4 (quatro) décadas, que não temos nenhuma vocação à produtividade e ao crescimento acelerado, portanto, fica a imagem do show do golfinho nos aquários de Miami. Um belo salto, aplausos e novo mergulho!
Termino esta modesta colaboração, que tem como objetivo principal os empresários responsáveis pelos quase 4 (quatro) milhões de CNPJs inativos ou inaptos (segundo a Receita Federal), por outro tanto de Quixotes, que insistem em mantê-los ativos, pelos mais de 20 milhões de subempregados, e com pesar pelos mais de 11 milhões de desempregados. Bonzinho nosso país não?