{"id":50,"date":"2022-01-14T10:32:00","date_gmt":"2022-01-14T13:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sapservice.com.br\/blog\/?p=50"},"modified":"2022-01-17T10:01:24","modified_gmt":"2022-01-17T13:01:24","slug":"demandas-e-desafios-da-geologia-de-engenharia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/demandas-e-desafios-da-geologia-de-engenharia\/","title":{"rendered":"Demandas e Desafios da Geologia de Engenharia e Ambiental em Projeto, Constru\u00e7\u00e3o e Manuten\u00e7\u00e3o de T\u00faneis em MND"},"content":{"rendered":"\n<p>A abertura de po\u00e7os verticais, est\u00e1 muito bem ilustrada na aula do eminente Professor Wilson Siguemasa Iramina (2016), da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo, no Departamento de Engenharia de Minas e do Petr\u00f3leo, e no programa denominado PM1 1841 \u2013 Engenharia de Perfura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que recorri a esse material? Porque pela primeira vez consegui facilmente chegar aos prim\u00f3rdios da Perfura\u00e7\u00e3o. Na sua aula, o Professor, projeta o slide referente ao trecho hist\u00f3rico e remonta segundo BRANTLY (1971) ao in\u00edcio do terceiro mil\u00eanio a.C., no Egito, onde po\u00e7os de aproximadamente 6 m de profundidade foram perfurados em minas <strong><u>por brocas rotat\u00f3rias <\/u><\/strong>controladas manualmente e a \u00e1gua foi utilizada para a remo\u00e7\u00e3o dos <strong><u>cortados<\/u><\/strong> (cuttings) nesses po\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, continua a aula, Conf\u00facio (600 a.C.) relata que a dinastia Chou perfurou po\u00e7os na China com a adi\u00e7\u00e3o de salmoura na \u00e1gua que retiraria os cortados, e no relato se pode constatar a perfura\u00e7\u00e3o de muitos po\u00e7os perto da borda do Tibet com o uso da \u00e1gua, salmoura e g\u00e1s (sic!). A \u00e1gua ainda segundo BRANTLY (1971) seguindo PENNINGTON (1949), foi utilizada para ajudar a amolecer as rochas e colaborar na remo\u00e7\u00e3o dos cortados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no seguimento desses estudos mais antigos, o Professor menciona v\u00e1rios pesquisadores, como BEART (1844) na Inglaterra, FAUVELLE (1846) na Fran\u00e7a, que apresentaram o m\u00e9todo de perfura\u00e7\u00e3o por meio de barras para perfurar, girando dentro da cavidade (<em>rotating hollow dril rods<\/em><em>) <\/em>ao mesmo tempo que <strong>bombeavam \u00e1gua atrav\u00e9s dessas barras<\/strong> para carrear os cortados para a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1866, esse m\u00e9todo \u00e9 consolidado por SWEENEY, com o lan\u00e7amento de um equipamento de perfura\u00e7\u00e3o rotat\u00f3ria denominado <em>\u201c<\/em><em>stonedrill<\/em><em>\u201d <\/em>absolutamente semelhante aos equipamentos do s\u00e9culo atual. O sucesso foi ampliado com a adi\u00e7\u00e3o de materiais com propriedades de plasticidade e maleabilidade como argila, farelo de milho e cimento, que iam al\u00e9m de carrear os cortados para a superf\u00edcie,<strong><u> mas tamb\u00e9m revestir as paredes do po\u00e7o para estabiliz\u00e1-lo reduzindo a tend\u00eancia ao desmoronamento.<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o desenvolvimento dessas novas propriedades dos ent\u00e3o doravante chamados, <strong><u>flu\u00eddos de perfura\u00e7\u00e3o<\/u><\/strong> houve necessidade de se controlar a press\u00e3o dentro do furo, t\u00fanel ou seja l\u00e1 qual a denomina\u00e7\u00e3o dada a essa escava\u00e7\u00e3o, principalmente em po\u00e7os contendo g\u00e1s, onde passou-se a utilizar uma lama carregada (laden mud) outra vez, estudada e consolidada por v\u00e1rios autores LEWIS e MURRAY (1916), POLLARD e HEGGEN (1913), HARTH (1935) e STROUD (1925), que ent\u00e3o <strong><u>aumentaram a densidade<\/u><\/strong> dos fluidos acrescentando \u00f3xidos met\u00e1licos de ferro (Fe2O3) e popularizando o uso da barita (BaCO3).<\/p>\n\n\n\n<p>Surge ent\u00e3o a primeira defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: <strong><em><u>Fluidos de perfura\u00e7\u00e3o s\u00e3o misturas complexas de s\u00f3lidos e l\u00edquido, produtos qu\u00edmicos e \u00e0s vezes at\u00e9 gases. Do ponto de vista qu\u00edmico eles podem assumir aspectos de suspens\u00e3o, dispers\u00e3o coloidal ou emuls\u00e3o, dependendo do estado f\u00edsico dos componentes. <\/u><\/em><u>(Professor Wilson Siguemasa) 2016.<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje ainda podemos nos servir da API 1991 American Petroleum Institute, para corroborar os ensinamentos no setor de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os verticais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>PORTANTO, N\u00c3O \u00c9 UMA TECNOLOGIA PARA AMADORES, PR\u00c1TICOS E ILETRADOS, AUDACIOSOS E DESPREPARADOS. Sergio A. Palazzo (2018)<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>O DESAFIO ATUAL<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora mude o sentido da perfura\u00e7\u00e3o, de vertical para horizontal. Pronto, parece at\u00e9 obra do dem\u00f4nio na geologia, pior, traga essa perfura\u00e7\u00e3o para as camadas mais afloradas, formadas por sedimentos das mais diversas origens, <strong><u>uma feijoada geol\u00f3gica<\/u><\/strong> SERGIO PALAZZO (2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos piorar? Amplie os di\u00e2metros, saia dos modestos 300 mm da cabe\u00e7a de um furo de petr\u00f3leo, e v\u00e1 para at\u00e9 1500 mm de um furo horizontal para acomodar uma tubula\u00e7\u00e3o de at\u00e9 1000 mm de di\u00e2metro externo, tenha ainda em mente que o furo de petr\u00f3leo chega aos 1000 m num di\u00e2metro imensamente menor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>NESTE MOMENTO CARO LEITOR PE\u00c7O QUE IMAGINE O VOLUME DE SOLO QUE PRECISA SER REMOVIDO, PARA SUA MELHOR ORIENTA\u00c7\u00c3O CONSIDERE COMPRIMENTOS DE 1000 M (<em>embora nos EEUU j\u00e1 chegamos aos 2000 m num tiro s\u00f3, e quase 4 mil atacando com duas m\u00e1quinas posicionadas nos dois emboques, opostos entre si.<\/em><\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas pensa que para a\u00ed? N\u00e3o. As recomenda\u00e7\u00f5es, \u00e9 que se trabalhe com um volume de fluido que transporte de 1\/3 at\u00e9 1\/5 do seu volume em s\u00f3lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito bem, ampliei a minha pesquisa em termos de <strong>furos horizontais<\/strong>, onde fui parar? Outra vez muito l\u00e1 atr\u00e1s, 2700 anos em rela\u00e7\u00e3o a hoje e 700 a.C, isso mesmo, e a obra? Pasmem, uma adutora, onde hoje \u00e9 o Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um t\u00fanel constru\u00eddo pelo Rei Ezequias (Antigo Testamento, Livro dos Reis, que me permito transcrever (Fonte: Antigo Testamento, Livro dos Reis):<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile is-image-fill\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\" style=\"background-image:url(https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/imagem9-1024x766.jpg);background-position:50% 50%\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"766\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/imagem9-1024x766.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52 size-full\" srcset=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/imagem9-1024x766.jpg 1024w, https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/imagem9-300x224.jpg 300w, https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/imagem9-768x574.jpg 768w, https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/imagem9.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-normal-font-size\">O terceiro \u00e9 o famoso t\u00fanel de Ezequias. Vendo o desenrolar dos acontecimentos, Ezequias logo concluiu que ele seria a pr\u00f3xima v\u00edtima dos ass\u00edrios. Tratou logo dos preparativos para a guerra. A B\u00edblia diz: \u201cEzequias fortificou a cidade e conduziu \u00e1gua para dentro dela. Cavou com ferro um t\u00fanel na rocha e construiu reservat\u00f3rios\u201d (Eclo 48,17). \u201cFoi Ezequias que tapou a fonte superior das \u00e1guas de Gion e as desviou por um subterr\u00e2neo para a parte ocidental da cidade de Davi2Cr 32,30). \u201cO resto da hist\u00f3ria de Ezequias e do que ele fez e como construiu o reservat\u00f3rio e o aqueduto para levar \u00e1gua \u00e0 cidade, tudo est\u00e1 escrito nos anais dos Reis de Jud\u00e1\u201d (2Rs 20,20).<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">Vista atual do reservat\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"271\" height=\"203\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51\"\/><figcaption><br>Visita tur\u00edstica que pode ser feita hoje<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O t\u00fanel tem um comprimento de 513 metros, 0,5% de inclina\u00e7\u00e3o. Foi escavado simultaneamente pelos dois lados, seguindo uma linha em forma de S, orientados pelas camadas mais mole da rocha.<\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O momento em que os grupos se encontraram foi emocionante e o perpetuaram na inscri\u00e7\u00e3o de Silo\u00e9, entalhada na parede do t\u00fanel, diz o seguinte:<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c[&#8230;] e estes foram os dados do t\u00fanel quando ainda [os escavadores brandiam] as picaretas, cada homem ao encontro do seu companheiro, quando ainda faltava tr\u00eas c\u00fabitos para escavar, foi ouvido a voz de um homem chamando seu companheiro, pois havia uma fissura na rocha \u00e0 direita. No dia em que o t\u00fanel foi varado, os escavadores golpearam a [rocha] cada homem de encontro de seu companheiro, picareta contra picareta. E a \u00e1gua fluiu da fonte para a piscina por mil e duzentos c\u00fabitos. E cem c\u00fabitos era a altura da rocha acima das cabe\u00e7as dos escavadores\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"290\" height=\"162\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-53\"\/><figcaption> As inscri\u00e7\u00f5es (provavelmente al\u00e9m da comemora\u00e7\u00e3o mencionada no cap\u00edtulo do livro sagrado, deve tamb\u00e9m ter o nome da empreiteira!) <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Muito bem, hoje, diante de tantos acidentes geol\u00f3gicos, com t\u00faneis de grande di\u00e2metro, em todos os continentes (at\u00e9 onde me foi dado conhecer), e com in\u00fameros acidentes, arriscaria de cham\u00e1-los de \u201cdi\u00e1rios\u201d no setor de MND (M\u00e9todos n\u00e3o Destrutivos), <strong>encaminho definitivamente o tema enunciado no t\u00edtulo deste trabalho:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><strong>O TEMA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7o com uma pergunta: O que deveria ser feito para sensibilizar, autoridades, propriet\u00e1rios de redes subterr\u00e2neas, projetistas de redes subterr\u00e2neas, gerenciadores de obras de instala\u00e7\u00e3o de redes subterr\u00e2neas, empreiteiras de execu\u00e7\u00e3o de redes subterr\u00e2neas por m\u00e9todos n\u00e3o destrutivos, fornecedores de equipamentos, materiais e insumos para essas obras?<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei inocentemente (n\u00e3o considerem este coment\u00e1rio como ir\u00f4nico, por favor), que as normas e legisla\u00e7\u00f5es existentes, e h\u00e1, seriam suficientes, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1991, o CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA e AGRONOMIA, atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 361-91, regulamenta o que entendemos at\u00e9 hoje por PROJETO B\u00c1SICO, que resumidamente enuncio:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cUm projeto b\u00e1sico \u00e9 baseado em <strong><u>estudos t\u00e9cnicos preliminares<\/u><\/strong>, seguidos pelo levantamento de <strong><u>informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e suficientes<\/u><\/strong>, com n\u00edvel de precis\u00e3o adequado, que garantam <strong><u>a viabilidade t\u00e9cnica do projeto<\/u><\/strong>, que garanta a seguran\u00e7a do entorno da obra, atrav\u00e9s dos <strong><u>cuidados com o impacto ambiental<\/u>, <\/strong>que permita ao projetista, definir os <strong><u>custos da obra, a defini\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos executivos, e o prazo de execu\u00e7\u00e3o.<\/u><\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estas garantias s\u00e3o conquistadas atrav\u00e9s de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, como diz o legislador:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Desenvolvimento da solu\u00e7\u00e3o escolhida;<\/li><li>Identifica\u00e7\u00e3o dos tipos de servi\u00e7os, equipamentos e materiais, bem como suas especifica\u00e7\u00f5es;<\/li><li>Dedu\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos construtivos, e instala\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias, garantindo as condi\u00e7\u00f5es organizacionais;<\/li><li>Oferecendo ao propriet\u00e1rio da obra, subs\u00eddios para licita\u00e7\u00e3o, contrata\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da obra, tudo suportado por um or\u00e7amento detalhado do custo global da obra, baseados em quantitativos e qualitativos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O governo, ao reformar o antigo DECRETO LEI 200 que legislava sobre contrata\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os (aquisi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m), implantou o conhecido Decreto Lei 8666, dois anos depois deste documento do CONFEA, e posso assegurar, na linguagem da inform\u00e1tica <em>\u201csapecou um Control C, Control V\u201d<\/em> no texto detalhado e legislou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente o mesmo CONFEA, digamos n\u00e3o acreditando que a Resolu\u00e7\u00e3o 361 era cumprida (\u00e9 l\u00f3gico n\u00e3o era nem nunca foi) SERGIO PALAZZO (2018), edita a DECIS\u00c3O NORMATIVA 106 em abril de 2015, ratificando o relato acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito bem, agora, diante de tantos esc\u00e2ndalos, o governo federal legisla para as estatais o Decreto Lei 13303, e o 14133 substitui o 8666, e neles, se subentende, que os riscos devem ser divididos entre o propriet\u00e1rio do projeto e a empreiteira contratada, <strong><em>me deu uma muito superficial ideia de que em termos de geologia estar\u00edamos diante do GBR <\/em><\/strong><strong><em>Geotechnical Baseline Reports for Underground Construction, <\/em><\/strong><strong><em>de 1997, publicado pela ASCE (American Society for Civil <\/em><\/strong><strong><em>Engineering<\/em><\/strong><strong><em>),<\/em><\/strong> que me permite enumerar os motivos que <strong><u>aquela desenvolvida sociedade<\/u><\/strong> enxergou nas rela\u00e7\u00f5es entre as instala\u00e7\u00f5es no subsolo, seus propriet\u00e1rios e as empreiteiras executantes (tradu\u00e7\u00e3o sob minha inteira responsabilidade):<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>O principal proposito do GBR \u00e9 fixar as bases sobre as condi\u00e7\u00f5es geot\u00e9cnicas a serem encontradas durante a constru\u00e7\u00e3o no subsolo e subsuperf\u00edcie de maneira a prover claras indica\u00e7\u00f5es no contrato da obra para resolu\u00e7\u00e3o de disputas judiciais concernentes a essas mencionadas condi\u00e7\u00f5es.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Os prop\u00f3sitos secund\u00e1rios do GBR s\u00e3o:<ul><li>A apresenta\u00e7\u00e3o das considera\u00e7\u00f5es geot\u00e9cnicas e de constru\u00e7\u00e3o que formam a base do projeto para os componentes subterr\u00e2neos;<\/li><li>O aprimoramento do entendimento da empreiteira das restri\u00e7\u00f5es chave do projeto e das exig\u00eancias selecionadas no desenhos e especifica\u00e7\u00f5es anexadas ao contrato;<\/li><li>A identifica\u00e7\u00e3o de importantes considera\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es que precisam ser definidas e tratadas durante a prepara\u00e7\u00e3o da licita\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o;<\/li><li>Apoio e assist\u00eancia \u00e0 empreiteira na avalia\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias para escava\u00e7\u00e3o e suporte do aterro; e<\/li><li>Orienta\u00e7\u00e3o para o gerente do contrato da gerenciadora ou fiscal, que monitora a performance da empreiteira.<\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>As diretrizes para elabora\u00e7\u00e3o de um projeto de furo direcional horizontal incluem:<ul><li>Uma extensa avalia\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie, afinal, o furo direcional come\u00e7a e termina na superf\u00edcie descrevendo um trajeto conforme a figura abaixo:<\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"456\" height=\"177\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem11.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-68\" srcset=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem11.png 456w, https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem11-300x116.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile is-image-fill\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\" style=\"background-image:url(https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem12.jpg);background-position:50% 50%\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"577\" height=\"433\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem12.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-69 size-full\" srcset=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem12.jpg 577w, https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem12-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Se de um lado precisamos de espa\u00e7o para os equipamentos, perfuratriz, misturadores de fluidos de perfura\u00e7\u00e3o, usina recicladora do fluido de perfura\u00e7\u00e3o etc., do outro lado precisamos deslizar a coluna de tubula\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 inserida, portanto, um quilometro como na foto ao lado, onde side booms s\u00e3o utilizados (ou guindastes) para manter uma entrada no t\u00fanel de forma \u00e9 impor as menores tens\u00f5es na tubula\u00e7\u00e3o seja ela, a\u00e7o, ou polietileno de alta densidade.<\/li><\/ul>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Avalia\u00e7\u00e3o da subsuperf\u00edcie, e aqui, come\u00e7a de fato a intera\u00e7\u00e3o com a geologia da engenharia, pois o conhecimento do tipo de solo que vamos escavar e transportar, <strong><u>sem acesso visual<\/u><\/strong> requer um estudo geot\u00e9cnico detalhado. Comecemos ent\u00e3o pelo certame de sondagens:<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual deveria ser o intervalo entre os furos ao longo desse quilometro de instala\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como otimizar uma sondagem que pode ter peso econ\u00f4mico relevante na decis\u00e3o do propriet\u00e1rio? <\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como garantir o conhecimento de todo o maci\u00e7o ao longo do quilometro?<\/h3>\n\n\n\n<p>Muito bem, a PETROBRAS, \u00e9 das empresas que t\u00eam a maior necessidade de utilizar a t\u00e9cnico de furos direcionais de grande porte (HDD), para suas travessias de grandes rios em suas obras de dutos chegando at\u00e9 2000 m de extens\u00e3o, em tubula\u00e7\u00f5es de at\u00e9 38\u201d de di\u00e2metro, sendo projetos desafiadores, com alto risco associado e grande import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. Suas experi\u00eancias mostraram que deixar a caracteriza\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica\/geot\u00e9cnica do subsolo para o projeto executivo trazem \u201csurpresas\u201d que geram impactos relevantes em custo e prazo de implanta\u00e7\u00e3o de suas instala\u00e7\u00f5es. Com isso, a Petrobr\u00e1s resolveu dedicar-se ao estudo pormenorizado das condi\u00e7\u00f5es geot\u00e9cnicas do subsolo a ser perfurado, na fase do projeto b\u00e1sico, coletando informa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas ao longo do alinhamento da perfura\u00e7\u00e3o, com os m\u00e9todos geof\u00edsicos, como eletrorresistividade, GPR e at\u00e9 s\u00edsmica de refra\u00e7\u00e3o, cujos resultados s\u00e3o integrados e interpretados a partir das sondagens diretas mec\u00e2nicas (SPT e Rotativas) realizadas nos pontos de interesse, e detalhadas por ensaios de laborat\u00f3rios (caracteriza\u00e7\u00e3o de solos e rochas).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"216\" height=\"145\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem13.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-70\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Com este procedimento, se torna poss\u00edvel identificar as diversas varia\u00e7\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o em subsuperf\u00edcie e suas peculiaridades, inclusive matac\u00f5es, que s\u00e3o de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o apenas coma as sondagens diretas, e oferecem grande risco para uma obra de furo direcional. Em posse desses dados na fase do projeto b\u00e1sico \u00e9 poss\u00edvel a elabora\u00e7\u00e3o de projetos com maior confiabilidade, permitindo um dimensionamento da obra, planejamento e or\u00e7amenta\u00e7\u00e3o de menor risco.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem14.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-71\" width=\"589\" height=\"107\" srcset=\"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem14.png 589w, https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Imagem14-300x54.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><figcaption><br>Projeto de furo direcional em rio, perfil geol\u00f3gico-geot\u00e9cnico integrado.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><strong><u>CONCLUS\u00d5ES:<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anualmente s\u00e3o instalados <strong><u>dezenas de quil\u00f4metros<\/u><\/strong> de redes para condu\u00e7\u00e3o dos mais diversos produtos (g\u00e1s, \u00e1gua, esgotos, telecomunica\u00e7\u00f5es, por exemplo), acidentes ocorrem diariamente, como se pode verificar recentemente na Marginal do Rio Tiet\u00ea, sob a ponte de acesso da Via Anhanguera, onde a Concession\u00e1ria de \u00c1guas e Esgotos, passou para a responsabilidade de uma incorporadora a constru\u00e7\u00e3o de uma adutora em polietileno, de 550 mm de di\u00e2metro externo, onde necessariamente se precisaria abrir um t\u00fanel de 800 mm de di\u00e2metro, num local onde houve h\u00e1 d\u00e9cadas a retifica\u00e7\u00e3o do rio, e em cujas margens de tudo se pode esperar em termos de solos. Entrar ali, sem sondagem detalhada (geof\u00edsica e mec\u00e2nica), sem um projeto do flu\u00eddo de perfura\u00e7\u00e3o, sem um projeto detalhado da execu\u00e7\u00e3o do furo, que esteja baseado em:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Estudos t\u00e9cnicos preliminares que resgatam informa\u00e7\u00f5es de experiencias anteriores, relat\u00f3rio de eventuais ocorr\u00eancias.<\/li><li>Levantamento das informa\u00e7\u00f5es faltantes, necess\u00e1rias e suficientes (ensaios geot\u00e9cnicos) com n\u00edvel de precis\u00e3o adequado, que terminem numa avalia\u00e7\u00e3o por parte do projetista, quanto a viabilidade t\u00e9cnica da execu\u00e7\u00e3o da obra;<\/li><li>Defini\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo adequado, equipamentos, materiais e insumos;<\/li><li>Respeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais (principalmente o entorno da obra, como \u00e9 o caso na via t\u00e3o utilizado como a Marginal Tiete);<\/li><li>Com uma garantia de pre\u00e7os e prazos, e farta documenta\u00e7\u00e3o para a contrata\u00e7\u00e3o, o gerenciamento, e para eventuais lit\u00edgios judiciais.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O caso mencionado da Marginal do Tiet\u00ea culminou com o insucesso da instala\u00e7\u00e3o, a coluna de mais de 600 m teve que ser recortada, duas frentes travaram, o processo se arrastou por v\u00e1rios meses, e uma nova empreiteira de furo direcional substituindo a anterior, levantou o piso do pavimento da marginal por duas vezes, tudo isso, demonstra de forma inequ\u00edvoca, a necessidade de uma dedica\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e0 pesquisa geol\u00f3gica-geot\u00e9cnica nas fases preliminares da elabora\u00e7\u00e3o do projeto b\u00e1sico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo em Geologia envolve Eras, v\u00e1rias, portanto milh\u00f5es de anos, dentro da perspectiva que me foi dada conhecer, ao longo dos mais de 50 anos militando no setor de infraestruturas. Com a presen\u00e7a do homem, trago essa perspectiva para s\u00e9culos, e isso me remete aos Eg\u00edpcios e aos Chineses, na abertura de po\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":52,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-50","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":177,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50\/revisions\/177"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sapservice.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}