E agora – COVID 19 e as obras de infraestruturas
NO início do COVID 19 escrevi este artigo e agora como ficam as obras de infraestruturas?
E agora? Temos uma estratégia para tocar as obras?
Neste momento difícil, de todas as entidades que estão se dedicando a nos passar uma orientação segura, destaco a HARVARD. Veio imediatamente em socorro de seus ex-alunos, que diferentemente de mim, estão ocupando posições em grandes corporações, nos governos e em entidades filantrópicas. Minha passagem pela escola já está perto de completar 30 anos, e o mais importante de instituições renomadas como essa, é o que eu chamo de “ensino continuado”. Há quase trinta anos, todas as semanas através de vários recursos a Harvard mantém seus ex-alunos informados.
Não poderia ser diferente agora diante do COVID-19. Uma série de seminários foram iniciados há alguns dias, e do primeiro deles procurei relacioná-lo com o nosso setor. Num momento em que a SABESP promove grandes investimentos no PROJETO PINHEIROS, TIETE, GENESYS, e REDUÇÃO DE PERDAS, a SANASA com grandes metas também na redução de PERDAS, e a COMGÁS com uma audaciosa expansão de sua rede com quase 6000 quilômetros, é hora das primeiras indagações:
Caminhamos da restrição parcial de eventos para o fechamento total de negócios e escolas. Essa condição define onde estamos: Estamos no início de uma jornada difícil.
A escola fez extensa pesquisa, como é próprio das Universidades e Empresas Norte Americanas, e o resultado é a certeza de que haverá uma redução maior do 50% (cinquenta por cento) em várias atividades, na nossa também. Aconteça ou não, é o guia sobre o qual devemos nos apoiar neste instante.
A maioria dos que responderam, não conseguem ver o fim da crise, também afirmaram que terá uma duração incerta, e pela primeira vez, estamos todos (o mundo todo) envolvidos. A situação será ampliada continuamente, e, portanto, para nossas obras, não há uma expectativa, e não adianta ficar esperando. Vai aí então a primeira recomendação, o que eles chamaram de montar “um processo” e não montar um ou mais cenários.
Monte “um gabinete da crise”, onde os participantes tenham informações de toda ordem, inclusive de medicina, epidemiologia, logística, financeira entre outros. Esse grupo deve tentar identificar e entender a evolução, todavia, deve se concentrar nas ações cujas frequências e consequências, influem o seu mais curto momento, o dia de hoje, esta semana. O coordenador fez questão de comparar com a ação de um piloto de combate da guerra do Vietnã, que em sua aeronave de guerra, supersônica, não tem tempo de grandes conjecturas, observa, elege três alternativas, escolhe uma, esquece as outras duas, E AGE.
Não há nenhum benefício em assumir riscos, portanto, procure minimizar os custos, os impactos só serão eficazes por esse caminho. Os impactos externos você não controla, mas a empresa deve estar preparada para enfrentá-los e absorvê-los, reduzindo dentro do possível, seu efeito.
Em ambientes como esse não se apresse em dar respostas, muito cedo perceberá que elas estão erradas. Não há soluções conhecidas. Trata-se de uma situação sem precedentes, portanto, virtualmente, nada no COVID-19 é conhecido.
No começo os problemas são minimizados e até parecem rotineiros, lembre-se de Chernobyl, Three Mile Island, e as torres gêmeas, onde o Presidente Bush disse na manhã seguinte: “Estamos abertos para negócios”. A multiplicação das ocorrências leva ao descontrole, e quem está no comando tem dificuldades em perceber a verdadeira natureza do evento.
Monte uma estrutura, convoque pessoas, e estabeleça um método de solução de problemas. Você, igualmente o piloto, está sob estresse e tendo que decidir em tempo real. Ninguém sabe o que fazer, portanto, facilite a deliberação, pergunte e não advogue, procure manter uma segurança psicológica.
Estabeleça metas, prioridades e valores, entenda a situação com uma descrição acertada, tenha criatividade no elenco das opções, preveja resultados, sendo analítico e, confira diariamente os resultados, execute, não há tempo para esperar.
Conclusões:
Nem tudo que você tentar, vai funcionar, todas as ações devem ser entendidas quando forem executadas, como tentativas e experimentais, experimentos em tempo real, que ocorrem em situações de guerra, onde as ocorrências não têm precedentes. Estamos só no começo, mas temos pessoas inteligentes, criativas, adaptativas e descentralizadas. Essa adaptabilidade é nossa maior arma.
Além de tudo isso, hoje perdi um amigo Tito, marido da Áurea, onde todos se contaminaram em casa, ele não resistiu, por isso mantenham as recomendações médicas, ajude os que não estão convencidos a se convencerem, tome conta de você, nós precisamos de você, não se surpreenda, ansiedade e surpresas, serão constantes, ESTA SERÁ UMA LONGA MARATONA.
Como tocar nossas obras? Ainda não temos respostas. Acho difícil que alguém tenha, mas o mais importante e começar a montar o processo e não o cenário.
Sérgio A. Palazzo, é engenheiro mecânico, de produção e em fase final de conclusão da Pós Graduação de Saneamento Básico e Ambiental. Diretor da ABRATT da qual foi fundador e é Past Presidente, tendo também atuado por sete anos no Board da ISTT Associação Internacional de Métodos não Destrutivos.