Querem nos pegar pela “memória afetiva”.
Eu emergido de uma pobreza típica dos imigrantes italianos que vieram repor escravos (meus bisavós e avós), procurei refletir sobre o que teria permitido minha emersão desse nível tão primário?

Lendo um artigo do editorial do El País me dei de cara com uma explicação universal para os momentos que antecedem as eleições e as promoções de ambos os lados, no nosso caso, por enquanto, polarizadas
em ultradireita e ultraesquerda.
Qual será, em ambas as campanhas ” o bolinho de carne da nona”? já que parece mesmo que teremos os votos aferrados a essas doces recordações.
Quais seriam eles?
Do regime militar, um país livre da corrupção (nunca absolutamente comprovado, haja vista, a
entrevista do empresário Sergio Correa da Camargo Correa estes dias, onde quase em outra
leniência, indica que, os governos subestimam a capacidade de articulação dos empreiteiros).
Do outro lado, pretendem que esse bolinho adorado, seja o da baixa inflação, da melhor
redistribuição de renda e a consequente diminuição da pobreza, fato que levou o candidato à
tribuna de grandes países e Universidades.
Nenhuma das duas campanhas apresenta algo novo, ambas se preocupam em por gosto ruim
no “bolinho” da outra.

Eu emergido de uma pobreza típica dos
imigrantes italianos que vieram repor escravos (meus bisavós e avós), procurei refletir sobre o que teria permitido minha emersão desse nível tão primário?
Concluí que, do cortiço da Rua Helvetia 1023, ali bem pertinho da Rua das Palmeiras e do Largo Santa Cecília, onde nasci, somente pelo Saneamento Básico Universalizado, naquele trecho do Brasil, é que foi possível, escalar os degraus do desenvolvimento humano do Maslow & Herzberg. Nesse cortiço tínhamos banheiro, esgoto coletado, transportado e tratado, água encanada de alta qualidade, gás encanado e coleta de lixo.
Por causa de tudo isso, tivemos saúde para então acessarmos a educação (não adianta mandar
a criança para a escola, com a barriga cheia de lombrigas, que me perdoem o nojo do
testemunho, vi nas regiões mais pobres do país, o que mais parecia uma emaranhado de
espaguetes saído da barriga dessas crianças doentes) e aí com essa combinação, saúde e
educação e nessa ordem, emergi.
Décadas depois escolho morar em Valinhos, e descubro que na década de 70, do século passado
o prefeito e o presidente da câmara (Bissoto e Arildo) passam uma lei na câmara e proíbem o
tratamento de esgoto em fossas sépticas e para isso instalam 100% de redes de Esgotos,
pasmem, interceptores em todos os córregos onde ainda hoje morrem águas cristalinas, e uma
ETE do Capuava, para o tratamento, única cidade da PCJ com 100% de coleta e tratamento, única
a lançar a água limpa da sua ETE, no córrego Capuava, que aflui no Córrego Pinheiros e daí no
Rio Atibaia à montante da coleta do vizinho município de Campinas.
Esses, são de fato, os “bolinhos da Nona”, difíceis de esquecer.
Como dizia o cômico da Escolinha do Professor Raimundo, “Não me venham com chorumelas”
digam qual a “novidade em bolinhos”, qual o futuro.
Não poderia encerrar sem parabenizar os SABESPIANOS, que ao longo das décadas de sua
existência, fizeram das mais de 300 cidades que atendem, cidades Universalizadas Para o
Saneamento (a maioria) igualmente o bairro de Santa Cecília da década de 40. Para esses
profissionais, o Marco e o ano de 2033 já chegou, e as metas foram atendidas, em ações
marcantes, a SABESP acabou com o mal cheiro do Rio Pinheiros, depois do investimento de mais
de 1,5 bilhão de reais, enfrentando as soluções para as ocupações excepcionais, e levando o
nível de DBO do Rio para 30 ou menos, beneficiando centenas de milhares de pessoas que
passam ou vivem por ali, resultado exaltado pelo Engº Dante Ragazzi Pauli, no Webinar da FNQ
dia 09 do corrente mês.
Termino parabenizando também SANASA e DAEV de Valinhos, que Universalizaram o
Saneamento e dão ao PCJ, um tratamento de Bacia.
Junho 2022
Sergio Palazzo